quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Meu Pecado -Primeiro Capitulo -Releitura

Meu pecado – Releitura – Capitulo Um.



Sinto que minha vida está finalmente tomando um rumo diferente, a sensação de estar realizando seu maior sonho é simplesmente incrível, tenho planos, planos e sonhos que há alguns anos atrás eu diria que era impossível, mas hoje, hoje eu sei que sonhos podem ser tornar realidade. Passei a maior parte da minha vida estudando, ouvindo dos meus pais que eu iria conseguir que nada era envão, que todos os meus esforços valeriam a pena no futuro, e hoje eu estou começando a colher tudo que plantei. Plantei coisas boas e estou colhendo o extraordinário.


– Eu passei. – digo assim que termino de ler o email. – Mãe! Pai!

–Que gritaria minha filha. O que houve?

–Email da Juilliard! –ela me encara alegre.

–Eles te responderam? – concordo. –Ah minha filha parabéns! – ela me abraça

–Eu ouvi gritos? – encaro papai com seu semblante assustado. – O que estão comemorando?

–Ela conseguiu meu amor, ela passou em Juilliard.

–Parabéns filha! – corro para seus braços.

–Obrigada pai. Será que a Bianca também conseguiu?

–Luna! – ouço a voz da minha melhor amiga escandalosa do lado de fora. –Luna eu consegui! Luna! – rindo eu corro pra fora e gritamos juntas histericamente.

–Parabéns! Parabéns amiga! – nos abraçamos.

–Mas perai – ela me encara. – E voce? Já recebeu algum email? – dramaticamente eu faço minha melhor cara triste, ela automaticamente tira o sorriso do rosto e sua alegria some. – Voce não... Não passou? – fico em silencio forçando o choro. – Não Luna! Não amor – ela me abraça e soluço em lágrimas. – Luna não chora.

–Eu to chorando porque voce é muito idiota – ela me encara sem entender. – Eu passei! – grito.

–Sua vaca – ela me abraça. – Pregou me um susto. – ela leva as mãos ao peito.

–Pregou-me um susto – zombo – Parece até uma menina do século dezenove falando, quem ver assim até parece que tem cultura.

–Sua besta – ela me abraça apertado. – Estamos mais próximas do nosso sonho – sorrio – Voce consegue vê? Juilliard sempre foi um sonho pra nós.

–E aqui estamos nós. – nos encaramos – Pronta para viver esse sonho.

–Juntas.

–Juntas.


Prezada Srª Luna Duarte Mello.

Parabéns! O Comitê de Admissão do Instituto de Arte Musical
se junta a mim na parte mais gratificante do meu trabalho oferecendo-lhe a admissão à Julliard e convidando a se juntar à nossa classe 209 .

Você tem um diferencial e estamos impressionados e inspirados por sua paixão, determinação e realizações. Nós viemos a celebrar tudo que você trabalhou para esta boa notícia. Você agora fará parte da maior Universidade de arte, e sua perspectiva única vai contribuir para a nossa comunidade te levar ao extraordinário.

Mais importante é, Julliard é o lugar para crescer e começar a definir o seu lugar no mundo.


Seja muito bem vinda.
Instituto de Arte Musical Julliard.
 
 
Eu nao parava de ler a carta impressa, Bianca dormia ao meu lado tranquilamente assim como os outros passageiros, mas eu nao conseguia dormir, nao dava pra cochilar sabendo que daqui há algumas horas eu estarei muito mais próximo do meu sonho. 
 
 
Próximo de todo o fim da minha vida.
 
 
 

Não consegui dormir, estava muito animada para o primeiro dia de aula, contava cada segundo e a expectativa só aumentava. Como será? Como deve ser as aulas? Isso parece ser um sonho, tenho medo de acordar e estar em meu quarto, tenho medo de ser apenas uma mera ilusão. Eu e Bianca éramos apenas duas brasileiras que começaram a mandar emails para o comitê de Julliard contando sobre nossa história e de como gostaríamos de estudar na Universidade, usamos todos os argumentos possíveis e mandávamos mais de cem emails por dia tentando chamar a atenção de alguém que pudesse nos ajudar, e quando todas as nossas esperanças estavam chegando ao fim a nossa conquista foi certa, lembro até hoje, era uma quinta feira dia cinco de Dezembro de 2014 quando o Comite mandou-nos um email e daí por diante fizemos um teste por conferencia para a possivel admissão e hoje finalmente conseguimos.


 Conseguimos!


Os meus sonhos estão começando a se tornar realidade.



O mais legal de tudo isso é poder partilhar este sonho com minha melhor amiga, assim como eu Bianca também tem um grande sonho, e por mais estranho que seja desejamos a mesma coisa, eu quero muito ser dançarina profissional, desejo isso mais que minha alma, me formei em balé clássico e em outros estilos de dança, sempre me dediquei a dança, mas também estudei musica e teatro, se quero ser um artista de palco, preciso ser um artista completa, assim dizia minha professora de teatro Sonia Vital.


Voce ainda não dormiu? – nego olhando pra TV. Mas assim voce vai acordar com sono amanha Luna.

Bianca eu não consigo! – digo surtando de alegria – Estranho voce não sentir o mesmo.

Eu estou animada, muito animada acredite, mas eu estou me contendo, preciso parecer uma pessoa normal, uma pessoa normal que esta indo estudar na Juilliard – nos encaramos e rimos. Ah quem eu estou enganando eu to feliz pra porra! – ela grita me fazendo ri alto. Eu também não consegui dormir, não estou dormindo, já tomei três, três xicaras de café, eu estou uma pilha de nervos pra conhecer a faculdade, não vejo a hora de amanhecer o dia e acordar, escovar os dentes e ir pra lá – ela grita.

É eu me enganei voce esta mesmo animada. – ela ri.

Eu estou, mas eu quero parecer normal. – ri – Boa noite Luna, irei dormir como uma pessoa normal.

Uhum sei, dorme não fica aqui comigo está passando Crepúsculo.

Ah aquele filme idiota que voce gosta? –faço uma careta. Tudo bem eu vejo, mas só porque é voce. – ela senta ao meu lado e assistimos. Como deve ser as pessoas? – eu a encaro.

Normais – ela me encara – Com olhos, dentes, nariz, cabelo.

Palhaça –rimos- Digo..., as meninas.

Eu não faço a mínima ideia. – franzo a testa pra sua pergunta, mas decido não entrar no assunto, volto a me concentra em Edward, sorrio ao ver ele e Bella se beijando, mas todo meu sorriso some assim que percebo Bianca me encarando. O que foi? –digo comendo pipoca.

Nada. – ela sorri pra mim serena, seus olhos me analisam da cabeça até alguma parte de mim, volto a olhar a TV me sentindo um pouco mais intrigada que antes.


Se tem uma coisa que eu odeio é quando uma pessoa fica me encarando, começo a ficar tremula e... Perco o controle de tudo, mas com Bianca eu sei lidar, Bianca é minha amiga lesbica, eu não tenho nada contra, sempre fomos amigas desde bem novas e eu nunca vi problema em ter uma amiga lesbica, nossa amizade sempre foi a mesma. Mas de um tempo pra cá confesso que Bia esta mais estranha, ela me abraça diferente, sorri pra mim diferente, me olha diferente, sim eu vou usar só essa palavra: Diferente. Ela parece...


Apaixonada.

Sim isso mesmo, apaixonada, eu não queria admitir isso e nunca vou falar isso em voz alta, mas tenho quase certeza de que Bianca esta apaixonada, sei disso porque todas as vezes que ficamos sozinhas ela me olha da mesma forma que esta me olhando agora. Eu volto a olhar pra ela e a vejo sorri de uma forma amorosa, amorosa demais, forço um sorriso e volto a olhar a TV, ela esta aqui ao meu lado, com sua perna praticamente grudada a minha e eu estou me sentindo completamente desconfortável com seu braço ao redor do meu ombro.

–Acho que vou dormir. – levanto rapidamente saindo de seu quase abraço.
–Mas já? – concordo. – E o filme? Já esta chegando sua parte favorita.
–É eu sei, mas é que... É que eu estou com sono sabe, e amanha será um grande dia.
–Tá tudo bem então. – ela desliga a TV, levo tudo que usei a cozinha e me assusto ao virar e ter ela atrás de mim.
–Ai Bianca voce me assustou – ela sorri e toca meu ombro.
–Voce ta gelada. – ruborizo – Eu sei é a tensão começando a chegar não é?
–É sim, é a tensão. – ela me abraça apertado e por segundos eu decido relaxar, ela é minha amiga, nunca tentou algo comigo. Porque faria isso agora? Eu não tenho que ter medo de morar com ela, não mesmo.

Mas toda a minha confiança vai embora quando ela me abraça pela cintura e lentamente a sinto beijando meu pescoço, automaticamente eu me afasto completamente chocada com seu ato, na verdade eu não fiquei tao chocada, meu corpo estava praticamente armado, pronto para algum ataque seu,  ela por sua vez me olha assustada.

–O que voce pensa que esta fazendo? – digo contendo minha voz.
–Luna eu... Eu...
–Eu o caramba! O que deu em voce? – ela passa a mao no cabelo meio confusa, mas eu não fico pra ouvir sua resposta
–Merda! – a ouço dizer. – Luna! Luna vem aqui. – ela puxa meu braço
–Não volte a fazer isso. Ouviu bem? – nos encaramos. – Não volte a me tocar assim.
–Tudo bem, desculpa Lu eu... Eu. – ela respira fundo. – Voce sabe Lu
– Eu não sei de nada e nem quero saber. – digo com raiva. – Eu vou dormir boa noite.
– Boa noite Lu.

Quando o dia amanheceu eu praticamente saltei da cama e meia hora depois já estava pronta para o meu primeiro dia, com o coração batendo a mil e a garganta seca eu saio do quarto e vejo Bia arrumando a mochila na sala, ela me encara, mas decidi não dizer nada.

–Bom dia Bianca. –ela me encara.
–Oi. – seu olhar é triste, dou dois passos em direção a cozinha, mas desisto e no meio do caminho eu volto e dou-lhe um abraço apertado.
– Não quero que nosso dia comece assim. – ela ainda parece surpresa, mas aos poucos relaxa e retribui o abraço.
–Me perdoa eu... – nos encaramos, ela ainda não consegue dizer–Eu juro que nunca mais vou fazer isso, eu não sei o que me deu, só quis...
–Não quero saber, deixa pra lá. Vamos logo hoje é um dia importante pra nós.
–É sim.

O lugar é simplesmente incrível, muito parecido com as fotos que vimos quando fizemos uma pesquisa sobre Juilliard, do outro lado da rua dava pra ver o enorme campus, meu corpo estremeceu de ansiedade quando me deparei com muitos estudantes seguindo a mesma direção que nós. Bianca segurou minha mão com força assim que colocamos os pés dentro da famosa Juilliard, meu coração estava tao acelerado, nos abraçamos e ali na entrada eu me permiti chorar um pouco.

–Ta chega de lagrimas –rimos. – Eu to indo, boa sorte Luna.
–Boa sorte amiga – fizemos nosso toque secreto, ela se afasta de mim com seu calendário nas mãos, infelizmente não ficamos na mesma turma, a carta que recebemos indicava em qual turma estaríamos, e ela ficou com a 211.

Não queria confessar isso, mas eu me sentia no High School Musical, os armários, os corredores, as pessoas, já conseguia ouvir musicas e pessoas animadas cantando. É literalmente um sonho! Depois de achar meu armário, minha segunda missão era encontrar a turma 209, o que não foi nada fácil, as pessoas não eram tao educadas assim, eu estou num lugar novo e me sinto meio tímida e pra completar meu inglês não é lá essas coisas.

Eu estou perdida.

–Ai perdão! – meus livros vão todos ao chão, eu me agacho rapidamente para pegá-los e percebo outras duas mãos me ajudando a recolhê-los, destrambelhada eu acabo me desequilibrando e caio de costas. – Desculpa eu não te vi. Vem cá deixa eu te ajudar. – totalmente sem graça eu aceito a ajuda. – Esse chão não é cem por cento limpo.
–É bom saber disso. – ouço ele ri, ajeito minha mochila e pela primeira vez eu o encaro, meu sorriso some em questão de segundos, ele me encara sorrindo e todo o meu ser para de funcionar.

Nossa!

–Menina, menina! Menina!
–Oi – desperto, ele franze a testa, com certeza estou fazendo uma careta de débil mental. Ele é tao bonito. –Oi – digo alto o bastante para todo o corredor me ouvir, ele me encara achando graça do meu desembaraço.
–Acho que isso é seu.
–Isso o que?
–Isso. – ele tira sarro de mim
–Ata. – pego meu calendário de suas mãos– Vai se atrasar pra sua aula se continuar aqui.
–Ah é – digo ainda em transe. – É, minha aula. Obrigada pela ajuda.
–Não tem de que. – ele olha o relógio – Puts tenho que correr. A gente se esbarra por ai
– Hey! Espera eu... Eu não sei aonde fica a... E ele já foi.  E agora?

Demoro cerca de quinze minutos pra encontrar alguém que pudesse me ajudar, o lugar é imenso, me senti num grande labirinto de tantos corredores, mas por fim, no final eu consegui uma ajuda e encontrei a minha turma, sala quatorze, segundo andar, turma 209.

–Seja quem for esta atrasado. – a porta range denunciando meu atraso, ele vira e me encara surpreso. É ele! O rapaz que me ajudou no corredor agora pouco. – Hey a menina do corredor. – corada eu dou-lhe um sorriso. – Não permito atraso em minhas aulas. – Ele é o professor? Mas... Nossa!
–Ah qual foi professor hoje é o primeiro dia dá uma canja vai. – um rapaz diz e logo o assunto se torna um burburinho total.
– Tudo bem! Tudo bem. Silencio! Pode se sentar menina.
– Senta aqui do meu lado princesa. – o mesmo rapaz sorrir pra mim.
– Já começou Paul? Mal iniciamos o ano cara, vai com calma. - eles riem como se tivessem uma grande intimidade, eu apenas me ajeito na cadeira do fundo.
– Levanta. – sem mesmo ter ficado com meu bumbum um minuto se quer na cadeira ele me pede pra ficar de pé.
–Fiz algo de errado?
–Não, só quero que se apresente vem aqui na frente. – um pouco tímida eu faço o que ele pede.

Sim isso realmente parece um filme colegial americano.

–Oi eu sou Luna, tenho 18 anos e é só. – digo tímida.
– Só? Sou Luna tenho 18 anos e é só? – concordo. – Seu sotaque parece bem interessante, quer nos contar sobre ele?
– Eu moro no Brasil, mas atualmente eu estou aqui em Nova York.
–Uma brasileira? – ele diz surpreso.
–Obrigado senhor! – Paul grita do fundo da sala tirando risos das pessoas. – Deus existe e ele ouviu minhas orações.
–De que parte do Brasil? – ele pergunta interessado.
–Rio de Janeiro.
–Uma carioca.
–Delicia.
–Paul – ele o repreende. – Dê respeite sua colega de turma.
–Ah ela eu dou tudo. – coro.
–Como se ele tivesse alguma coisa pra dar. –risos ecoam a sala.
–Já chega rapazes. – ele corta os risos– Entao menina Luna brasileira carioca que mora em Nova York e tem dezoito anos. -sorrio– Nos surpreenda com sua voz.
–Eu?
–Sim tem outra Luna... – ele pega uma folha– Duarte de Mello nesta sala? –não respondo– Tem vergonha de pagar mico no seu primeiro dia de aula? – ele não me deixa responder – Olha que os alunos aqui são gente dá pesada, quem canta mal é pego na saída.– ele me amedronta, mas seu tom é bem humorado.
– Eu estarei lá te esperando baby. – ignoro Paul.
–O máximo que voce vai conseguir se não souber cantar é pagar um grande mico, seu inicio de ano será memorável – ele encara-me fixamente e por alguma razão isso me deixa desconcertada. – No teatro, no espetáculo ou em qualquer lugar que voce for se apresentar, sempre terá todo tipo de público, e voce terá que enfrenta-lo da maneira mais ética que todo ator sabe. Encantando-os. – ele continua me olhar sem piscar.

Porque ele me encara tanto?

–Brilhe sendo apenas voce. – ele pisca pra mim e senta junto com os outros alunos. – Estamos esperando, comece quando quiser.

Todos estão olhando pra mim atentamente esperando algum movimento meu, meus olhos percorrem toda a sala na expectativa de que exista alguma pessoa que não esteja me olhando, mas pra minha infelicidade todos estão.

Just gonna stay and there watch me burn
Let’s all right Because I love to way hurt
Just gonna stay and here me cry.
Let’s all right because I love the way you lie
I love the way you lie.
I love the way you lie.

Meu coração esta acelerado o bastante pra que eu tenha um ataque cardíaco, minhas mãos estão tremulas e minhas pálpebras estão da mesma forma, mas eu consegui segurar a onda e canta de forma decente pra mais de trinta e oito alunos. O que mais me incomodou no meio da música foi a forma como ele me olhava, sei que é o professor e que ele esta me avaliando, mas sinto... Sinto meu corpo inteiro ruborizar, ele não pisca e me encara de uma forma muito intensa, sim esta é a palavra.

Intensa.

Simplesmente odeio ser encarada, odeio ter pessoas me olhando, mas não me sinto incomodada com os olhares de todos, apenas o olhar dele, seus olhos me deixam desconcertada, me deixam muito mais tremula que já estou. Termino a música conseguindo sustentar meu olhar ao dele, ouço os aplausos, mas não consigo manter o sorriso em agradecimento a todos, minha atenção é total para com ele. Até o fim da aula eu me senti esquisita, foi tanto que estranho a forma como ele me avaliou em silencio e não me aplaudiu como todos. Ele continuou a aula totalmente sério e foi notório, tanto eu quanto todos da classe percebeu a mudança no seu comportamento. Será que fiz algo de errado? Será que ele não gostou da minha voz? Ou eu o aborreci em alguma coisa? Mas em que?

O que eu realmente fiz?

Um sinal soou indicando o fim da aula, todos levantaram rapidamente saíram, eu não entendi muito o porque e nem sabia pra onde todos estavam indo, apenas fiquei sentada esperando a próxima aula começar.

–Luna. – ouço a voz dele.
–Oi. – digo acanhada.
–Voce não vai pra sua aula? – franzo a testa.
–Sim eu estou esperando ela começar.
–Mas ela já começou.
–Eu acho que não entendi. – pela primeira vez depois de horas eu o vejo sorrir. –As aulas não são na mesma sala? – ele nega – Que esquisito aonde eu sou o professor é que muda de sala, não os alunos.
–Mas aqui não é o Brasil e as coisas são diferentes.
–Percebi – recolho minhas coisas sentindo-me muito sem graça, recolho tudo depressa sem olhar pra ele, mas sinto seu olhar sobre mim.
–Eu gosto do Brasil. – ele me encara.
–É todos amam o Brasil, mas ele não tem muito o que amar.
–Como não? É o país de belas mulheres. –sorrio. –Acho que isso é tudo que precisamos pra amar. – ele volta a me encara da mesma forma que antes e todo o meu corpo estremece.
–Eu estou indo, bom dia prof. – sigo até a porta.
–Sala dezesseis Luna. – o encaro. – Sua próxima aula é lá.

Porque continua me olhando assim?

–Valeu. – sustento meu olhar no seu por mais alguns segundos antes de seguir para o meu próximo destino, mas não deixo de pensar em seu olhar sobre mim. Porque me olhou daquele jeito?

Ele parece estranho, muito estranho.




 Beijocas

Meu Pecado - Releitura - Primeiro capitulo

Meu pecado – Releitura – Capitulo Um.



Sinto que minha vida está finalmente tomando um rumo diferente, a sensação de estar realizando seu maior sonho é simplesmente incrível, tenho planos, planos e sonhos que há alguns anos atrás eu diria que era impossível, mas hoje, hoje eu sei que sonhos podem ser tornar realidade. Passei a maior parte da minha vida estudando, ouvindo dos meus pais que eu iria conseguir que nada era envão, que todos os meus esforços valeriam a pena no futuro, e hoje eu estou começando a colher tudo que plantei. Plantei coisas boas e estou colhendo o extraordinário.



– Eu passei. – digo assim que termino de ler o email. – Mãe! Pai!

–Que gritaria minha filha. O que houve?

–Email da Juilliard! –ela me encara alegre.

–Eles te responderam? – concordo. –Ah minha filha parabéns! – ela me abraça. – A mãe esta tão feliz por voce minha filha. – ela grita.

–Eu ouvi gritos? – encaro papai com seu semblante assustado. – O que estão comemorando?

–Ela conseguiu meu amor, ela passou em Juilliard!

–Ah meu Deus! Parabéns filha! – corro para seus braços.

–Obrigada pai.

–Papai esta tão feliz por voce meu amor. – sorrio
–Será que a Bianca também conseguiu? – eles me se entre olham e sorriem.

–Luna! – ouço a voz da minha melhor amiga escandalosa do lado de fora, encaro meus pais que sorriem pra mim. –Luna eu consegui! Luna! – rindo eu corro pra fora e gritamos juntas histericamente.

–Parabéns! Parabéns amiga! – nos abraçamos.

–Mas perai – ela me encara. – E voce? Já recebeu algum email? – dramaticamente eu faço minha melhor cara triste, ela automaticamente tira o sorriso do rosto e sua alegria some. – Voce não... Não passou? – fico em silencio forçando o choro. – Não Luna! Não meu amor – ela me abraça e soluço em lágrimas. – Luna não chora.

–Eu to chorando porque voce é muito idiota – ela me encara sem entender. – Eu passei! – grito.

–Sua vaca – ela me abraça. – Pregou me um susto. – ela leva as mãos ao peito.

–Pregou-me um susto – zombo – Parece até uma menina do século dezenove falando.

–Sua besta – ela me abraça apertado. – Estamos mais próximas do nosso sonho – sorrio – Voce consegue vê? Juilliard sempre foi um sonho pra nós.

–E aqui estamos nós. – nos encaramos – Pronta para viver esse sonho.

–Juntas.

–Juntas.


Prezada Srª Luna Duarte Mello.

Parabéns! O Comitê de Admissão do Instituto de Arte Musical
se junta a mim na parte mais gratificante do meu trabalho oferecendo-lhe a admissão à Julliard e convidando a se juntar à nossa classe 209 .

Você tem um diferencial e estamos impressionados e inspirados por sua paixão, determinação e realizações. Nós viemos a celebrar tudo que você trabalhou para esta boa notícia. Você agora fará parte da maior Universidade de arte, e sua perspectiva única vai contribuir para a nossa comunidade para te levar ao extraordinário.

Mais importante é, Julliard é o lugar para crescer e começar a definir o seu lugar no mundo.


Seja muito bem vinda.
Instituto de Arte Musical Juilliard.
 
 
Eu nao parava de ler a carta impressa, Bianca dormia ao meu lado tranquilamente assim como os outros passageiros, mas eu nao conseguia dormir, nao dava pra cochilar sabendo que daqui á algumas horas eu estarei muito mais próximo do meu sonho. 
 
 
 
Próximo de todo o fim da minha vida.
 
 
 

Não consegui dormir, estava muito animada para o primeiro dia de aula, contava cada segundo e a expectativa só aumentava. Como será? Como deve ser as aulas? Isso parece ser um sonho, tenho medo de acordar e estar em meu quarto, tenho medo de ser apenas uma mera ilusão. Eu e Bianca éramos apenas duas brasileiras que começaram a mandar emails para o comitê de Julliard contando sobre nossa história e de como gostaríamos de estudar na Universidade, usamos todos os argumentos possíveis e mandávamos mais de cem emails por dia tentando chamar a atenção de alguém que pudesse nos ajudar, e quando todas as nossas esperanças estavam chegando ao fim a nossa conquista foi certa, lembro até hoje, era uma quinta feira dia cinco de Dezembro de 2014 quando o Comitê mandou-nos um email e daí por diante fizemos um teste por conferencia para a possivel admissão e hoje finalmente conseguimos.



 Conseguimos!



Os meus sonhos estão começando a se tornar realidade.



O mais legal de tudo isso é poder partilhar este sonho com minha melhor amiga, assim como eu Bianca também tem um grande sonho, e por mais estranho que seja desejamos a mesma coisa, eu quero muito ser dançarina profissional, desejo isso mais que minha alma, me formei em balé clássico e em outros estilos de dança, sempre me dediquei á dança, mas também estudei musica e teatro se quer ser um artista de palco, preciso ser uma artista completa, assim dizia minha professora de teatro Sonia Vital.


Voce ainda não dormiu? – nego olhando pra TV. Mas assim voce vai acordar com sono amanha Luna.

Bianca eu não consigo! – digo surtando de alegria – Estranho voce não sentir o mesmo.

Eu estou animada, muito animada acredite, mas eu estou me contendo, preciso parecer uma pessoa normal, uma pessoa normal que esta indo estudar na Juilliard – nos encaramos e rimos. Ah quem eu estou enganando eu to feliz pra porra! – ela grita me fazendo ri alto. Eu também não consegui dormir, não estou dormindo, já tomei três, três xicaras de café, eu estou uma pilha de nervos pra conhecer a faculdade, não vejo a hora de amanhecer o dia e acordar, escovar os dentes e ir pra lá – ela grita.

É eu me enganei voce esta mesmo animada. – ela ri.

Eu estou, mas eu quero parecer normal. – ri – Boa noite Luna, irei dormir como uma pessoa normal.

Uhum sei, dorme não fica aqui comigo está passando Crepúsculo.

Ah aquele filme idiota que voce gosta? –faço uma careta. Tudo bem eu vejo, mas só porque é voce. – ela senta ao meu lado e assistimos. Como deve ser as pessoas? – eu a encaro.

Normais – ela me encara – Com olhos, dentes, nariz, cabelo.

Palhaça –rimos- Digo..., as meninas.

Eu não faço a mínima ideia. – franzo a testa pra sua pergunta, mas decido não entrar no assunto, volto a me concentra em Edward, sorrio ao ver ele e Bella se beijando, mas todo meu sorriso some assim que percebo Bianca me encarando. O que foi? –digo comendo pipoca.

Nada. – ela sorri pra mim serena, seus olhos me analisam da cabeça até alguma parte de mim, volto a olhar a TV me sentindo um pouco mais intrigada que antes.


Se tem uma coisa que eu odeio é quando uma pessoa fica me encarando, começo a ficar tremula e... Perco o controle de tudo, mas com Bianca eu sei lidar, Bianca é minha amiga lesbica, eu não tenho nada contra, sempre fomos amigas desde bem novas e eu nunca vi problema em ter uma amiga lesbica, nossa amizade sempre foi a mesma. Mas de um tempo pra cá confesso que Bia esta mais estranha, ela me abraça diferente, sorri pra mim diferente, me olha diferente, sim eu vou usar só essa palavra: Diferente. Ela parece...


Apaixonada.

Sim isso mesmo, apaixonada, eu não queria admitir isso e nunca vou falar isso em voz alta, mas tenho quase certeza de que Bianca esta apaixonada, sei disso porque todas as vezes que ficamos sozinhas ela me olha da mesma forma que esta me olhando agora. Eu volto a olhar pra ela e a vejo sorri de uma forma amorosa, amorosa demais, forço um sorriso e volto a olhar a TV, ela esta aqui ao meu lado, com sua perna praticamente grudada a minha e eu estou me sentindo completamente desconfortável com seu braço ao redor do meu ombro.

–Acho que vou dormir. – levanto rapidamente saindo de seu quase abraço.
–Mas já? – concordo. – E o filme? Já esta chegando sua parte favorita.
–É eu sei, mas é que... É que eu estou com sono sabe, e amanha será um grande dia.
–Tá tudo bem então. – ela desliga a TV, levo tudo que usei a cozinha e me assusto ao virar e ter ela atrás de mim.
–Ai Bianca voce me assustou – ela sorri e toca meu ombro.
–Voce ta gelada. – ruborizo – Eu sei é a tensão começando a chegar não é?
–É sim, é a tensão. – ela me abraça apertado e por segundos eu decido relaxar, ela é minha amiga, nunca tentou algo comigo. Porque faria isso agora? Eu não tenho que ter medo de morar com ela, não mesmo.

Mas toda a minha confiança vai embora quando ela me abraça pela cintura e lentamente a sinto beijando meu pescoço, automaticamente eu me afasto completamente chocada com seu ato, na verdade eu não fiquei tao chocada, meu corpo estava praticamente armado, pronto para algum ataque seu,  ela por sua vez me olha assustada.

–O que voce pensa que esta fazendo? – digo contendo minha voz.
–Luna eu... Eu...
–Eu o caramba! O que deu em voce? – ela passa a mão no cabelo meio confusa, mas eu não fico pra ouvir sua resposta.
–Merda! – a ouço dizer. – Luna! Luna vem aqui. – ela puxa meu braço
–Não volte a fazer isso. Ouviu bem? – nos encaramos. – Não volte a me tocar assim.
–Tudo bem, desculpa Lu eu... Eu. – ela respira fundo. – Voce sabe Lu
– Eu não sei de nada e nem quero saber. – digo com raiva. – Eu vou dormir boa noite.
– Boa noite Lu.

Quando o dia amanheceu eu praticamente saltei da cama e meia hora depois já estava pronta para o meu primeiro dia, com o coração batendo a mil e a garganta seca eu saio do quarto e vejo Bia arrumando a mochila na sala, ela me encara, mas decidi não dizer nada.

–Bom dia Bianca. –ela me encara.
–Oi. – seu olhar é triste, dou dois passos em direção a cozinha, mas desisto e no meio do caminho eu volto e dou-lhe um abraço apertado.
– Não quero que nosso dia comece assim. – ela ainda parece surpresa, mas aos poucos relaxa e retribui o abraço.
–Me perdoa eu... – nos encaramos, ela ainda não consegue dizer–Eu juro que nunca mais vou fazer isso, eu não sei o que me deu, só quis...
–Não quero saber, deixa pra lá. Vamos logo hoje é um dia importante pra nós.
–É sim.

O lugar é simplesmente incrível, muito parecido com as fotos que vimos quando fizemos uma pesquisa sobre Juilliard, do outro lado da rua dava pra ver o enorme campus, meu corpo estremeceu de ansiedade quando me deparei com muitos estudantes seguindo a mesma direção que nós. Bianca segurou minha mão com força assim que colocamos os pés dentro da famosa Juilliard, meu coração estava tao acelerado, nos abraçamos e ali na entrada eu me permiti chorar um pouco.

–Ta chega de lagrimas – rimos. – Eu to indo, boa sorte Luna.
–Boa sorte amiga – fizemos nosso toque secreto, ela se afasta de mim com seu calendário nas mãos, infelizmente não ficamos na mesma turma, a carta que recebemos indicava em qual turma estaríamos, e ela ficou com a 211.

Não queria confessar isso, mas eu me sentia no High School Musical, os armários, os corredores, as pessoas, já conseguia ouvir musicas e pessoas animadas cantando. É literalmente um sonho! Depois de achar meu armário, minha segunda missão era encontrar a turma 209, o que não foi nada fácil, as pessoas não eram tao educadas assim, eu estou num lugar novo e me sinto meio tímida e pra completar meu inglês não é lá essas coisas.

Eu estou perdida.

–Ai perdão! – meus livros vão todos ao chão, eu me agacho rapidamente para pegá-los e percebo outras duas mãos me ajudando a recolhê-los, destrambelhada eu acabo me desequilibrando e caio de costas. – Me desculpa não te vi. Vem cá deixa eu te ajudar. – totalmente sem graça eu aceito a ajuda. – Esse chão não é cem por cento limpo.
–É bom saber disso. – ouço ele ri, ajeito minha mochila e pela primeira vez eu o encaro, meu sorriso some em questão de segundos, ele me encara sorrindo e todo o meu ser para de funcionar.

Nossa!

–Menina, menina! Menina!
–Oi – desperto, ele franze a testa, com certeza estou fazendo uma careta de débil mental. Ele é tao bonito. –Oi – digo alto o bastante para todo o corredor me ouvir, ele me encara achando graça do meu desembaraço.
–Acho que isso é seu.
–Isso o que?
–Isso. – ele tira sarro de mim
–Ata. – pego meu calendário de suas mãos– Vai se atrasar pra sua aula se continuar aqui.
–Ah é – digo ainda em transe. – É, minha aula. Obrigada pela ajuda.
–Não tem de que. – ele olha o relógio – Puts tenho que correr. A gente se esbarra por ai
– Hey! Espera eu... Eu não sei onde fica a... E ele já foi.  E agora?

Demoro cerca de quinze minutos pra encontrar alguém que pudesse me ajudar, o lugar é imenso, me senti num grande labirinto de tantos corredores, mas por fim, no final eu consegui uma ajuda e encontrei a minha turma, sala quatorze, segundo andar, turma 209.

–Seja quem for esta atrasado. – a porta range denunciando meu atraso, ele vira e me encara surpreso. É ele! O rapaz que me ajudou no corredor agora pouco. – Hey a menina do corredor. – corada eu dou-lhe um sorriso. – Não permito atraso em minhas aulas. – Ele é o professor? Mas... Nossa!
–Ah qual foi professor hoje é o primeiro dia dá uma canja vai. – um rapaz diz e logo o assunto se torna um burburinho total.
– Tudo bem! Tudo bem. Silencio! Pode se sentar menina.
– Senta aqui do meu lado princesa. – o mesmo rapaz sorrir pra mim.
– Já começou Paul? Mal iniciamos o ano cara, vai com calma. - eles riem como se tivessem uma grande intimidade, eu apenas me ajeito na cadeira do fundo.
– Levanta. – sem mesmo ter ficado com meu bumbum um minuto se quer na cadeira ele me pede pra ficar de pé.
–Fiz algo de errado?
–Não, só quero que se apresente vem aqui na frente. – um pouco tímida eu faço o que ele pede.

Sim isso realmente parece um filme colegial americano.

–Oi eu sou Luna, tenho 18 anos e é só. – digo tímida.
– Só? Sou Luna tenho 18 anos e é só? – concordo. – Seu sotaque parece bem interessante, quer nos contar sobre ele?
– Eu moro no Brasil, mas atualmente eu estou aqui em Nova York.
–Uma brasileira? – ele diz surpreso.
–Obrigado senhor! – Paul grita do fundo da sala tirando risos das pessoas. – Deus existe e ele ouviu minhas orações.
–De que parte do Brasil? – ele pergunta interessado.
–Rio de Janeiro.
–Uma carioca.
–Delicia.
–Paul – ele o repreende. – Dê respeite sua colega de turma.
–Ah ela eu dou tudo. – coro.
–Como se ele tivesse alguma coisa pra dar. –risos ecoam a sala.
–Já chega rapazes. – ele corta os risos– Entao menina Luna brasileira carioca que mora em Nova York e tem dezoito anos. -sorrio– Nos surpreenda com sua voz.
–Eu?
–Sim tem outra Luna... – ele pega uma folha– Duarte de Mello nesta sala? –não respondo– Tem vergonha de pagar mico no seu primeiro dia de aula? – ele não me deixa responder – Olha que os alunos aqui são gente dá pesada, quem canta mal é pego na saída.– ele me amedronta, mas seu tom é bem humorado.
– Eu estarei lá te esperando baby. – ignoro Paul.
–O máximo que voce vai conseguir se não souber cantar é pagar um grande mico, seu inicio de ano será memorável – ele encara-me fixamente e por alguma razão isso me deixa desconcertada. – No teatro, no espetáculo ou em qualquer lugar que voce for se apresentar, sempre terá todo tipo de público, e voce terá que enfrenta-lo da maneira mais ética que todo ator sabe. Encantando-os. – ele continua me olhar sem piscar.

Porque ele me encara tanto?

–Brilhe sendo apenas voce. – ele pisca pra mim e senta junto com os outros alunos. – Estamos esperando, comece quando quiser.

Todos estão olhando pra mim atentamente esperando algum movimento meu, meus olhos percorrem toda a sala na expectativa de que exista alguma pessoa que não esteja me olhando, mas pra minha infelicidade todos estão.

Just gonna stay and there watch me burn
Let’s all right Because I love to way hurt
Just gonna stay and here me cry.
Let’s all right because I love the way you lie
I love the way you lie.
I love the way you lie.

Meu coração esta acelerado o bastante pra que eu tenha um ataque cardíaco, minhas mãos estão tremulas e minhas pálpebras estão da mesma forma, mas eu consegui segurar a onda e canta de forma decente pra mais de trinta e oito alunos. O que mais me incomodou no meio da música foi a forma como ele me olhava, sei que é o professor e que ele esta me avaliando, mas sinto... Sinto meu corpo inteiro ruborizar, ele não pisca e me encara de uma forma muito intensa, sim esta é a palavra.

Intensa.

Simplesmente odeio ser encarada, odeio ter pessoas me olhando, mas não me sinto incomodada com os olhares de todos, apenas o olhar dele, seus olhos me deixam desconcertada, me deixam muito mais tremula que já estou. Termino a música conseguindo sustentar meu olhar ao dele, ouço os aplausos, mas não consigo manter o sorriso em agradecimento a todos, minha atenção é total para com ele. Até o fim da aula eu me senti esquisita, foi tanto que estranho a forma como ele me avaliou em silencio e não me aplaudiu como todos. Ele continuou a aula totalmente sério e foi notório, tanto eu quanto todos da classe percebeu a mudança no seu comportamento. Será que fiz algo de errado? Será que ele não gostou da minha voz? Ou eu o aborreci em alguma coisa? Mas em que?

O que eu realmente fiz?

Um sinal soou indicando o fim da aula, todos levantaram rapidamente saíram, eu não entendi muito o porque e nem sabia pra onde todos estavam indo, apenas fiquei sentada esperando a próxima aula começar.

–Luna. – ouço a voz dele.
–Oi. – digo acanhada.
–Voce não vai pra sua aula? – franzo a testa.
–Sim eu estou esperando ela começar.
–Mas ela já começou.
–Eu acho que não entendi. – pela primeira vez depois de horas eu o vejo sorrir. –As aulas não são na mesma sala? – ele nega – Que esquisito aonde eu sou o professor é que muda de sala, não os alunos.
–Mas aqui não é o Brasil e as coisas são diferentes.
–Percebi – recolho minhas coisas sentindo-me muito sem graça, recolho tudo depressa sem olhar pra ele, mas sinto seu olhar sobre mim.
–Eu gosto do Brasil. – ele me encara.
–É todos amam o Brasil, mas ele não tem muito o que amar.
–Como não? É o país de belas mulheres. –sorrio. –Acho que isso é tudo que precisamos pra amar. – ele volta a me encara da mesma forma que antes e todo o meu corpo estremece.
–Eu estou indo, bom dia prof. – sigo até a porta.
–Sala dezesseis Luna. – o encaro. – Sua próxima aula é lá.

Porque continua me olhando assim?

–Valeu. – sustento meu olhar no seu por mais alguns segundos antes de seguir para o meu próximo destino, mas não deixo de pensar em seu olhar sobre mim. Porque me olhou daquele jeito?

Ele parece estranho, muito estranho.

Como me sai com o primeiro capítulo?  Gostaram? Continuo?


Beijocas
Noah